quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Perfil Sócio-Profissional dos Magistrados Portugueses Vai Ser Desenhado!
O Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra vai fazer um estudo designado 'Quem são os nossos magistrados? Caracterização profissional dos juízes e magistrados do Ministério Público em Portugal'. O estudo vai contar com a colaboração da Associação Sindical dos Juízes Portugueses e o Sindicato dos Magistrados Públicos.
Este estudo promete e é inovador. Pretende-se conhecer os profissionais, saber quem são, de onde provêm, qual o percurso profissional e quais as suas atitudes e representações sobre alguns temas com que são confrontados durante os actos profissionais.
Conhecer a génese de quem desempenha o cargo de juíz vais permitir, em última análise, compreender como é feita a leitura da lei em Portugal e como se situam estes profissionais perante o funcionamento do sistema judicial e como pode este interagir de forma a rentabilizar, em todos os sentidos, os juízes.
Segundo um dos investigadores envolvidos, o sociólogo João Paulo Dias, 'O ignorar das profissões leva a que as reformas não funcionem. São feitas à revelia dos profissionais' - Diário Digital.
O que temos aqui é uma esperança de que, conhecendo-se o perfil deste grupo profissional, possa ser possível adequar as decisões a esse mesmo perfil. Temos, também, a possibilidade de entender as razões das decisões destes profissionais.
O estudo promete. Serão tidas em conta inúmeras varáveis: desde o género; o percurso educacional, a classe social; ou, noutro âmbito, as atitudes sobre os seus direitos e deveres e as suas carreiras; ou, ainda noutro âmbito o que pensam sobre determinados temas sobre os quais têm que decidir.
A existência de um estudo desta natureza revela outro aspecto: centrar as profissões nos profissionais, conhecendo-os, é uma forma de humanizar e aproximar o sistema - aquele em sentido abstracto - de quem dele faz parte. E todos ganhamos, com certeza.
Haja, depois, quem leia o estudo e aja em conformidade!
Pode ler-se Aqui mais pormenores sobre o assunto
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Boa Notícia; Sociologia
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Aquela Terra Castanha Tem a Cor dos Meus Olhos
Os cheiros, de lareiras acesas com giestas, são castanhos...
Como castanho é o olhar que, num dia de neve, aqui deixei nesta... terra castanha.
Virei para o resgatar... aos poucos.
Nesta terra que, agora, me pertence um pouco.
Morena, como eu... esta terra, agora, é minha.
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brilhos baços
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Poesia - Maria do Rosário Pedreira
Diz-me o Teu Nome
Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.
- Maria do Rosário Pedreira -
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Maria do Rosário Pedreira,
Poesia
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Música ao Entradecer
... e esta foi tirada do baú...
Non son digno di te,
non ti merito più,
ma al mondo no, non esiste nessuno
che non ha sbagliato una volta!
E va bene così
me ne vado da te,
ma quando la sera tu resterai sola
ricorda qualcuno che amava te.
Sui monti di pietra può nascere un fiore...
in me questa sera è nato l'amore per te!
E va bene così
me ne vado da te,
ma al mondo no, non esiste nessuno
che non ha sbagliato una volta, amor!
Sui monti di pietra può nascere un fiore...
in me questa sera è nato l'amore per te!
Non son digno di te,
non ti merito più,
ma quando la sera tu resterai sola
ricorda qualcuno che amava te.
Amore, amor!
Amore, amor!
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Música
E nós, vamos tomar a vacina?
Chama-se Pandemrix – um nome digno de uma qualquer personagem gaulesa do Asterix!
Pela primeira vez, os cidadãos vão decidir uma questão, que é de ‘saúde pública, baseados na… fé. As recomendações da Direcção Geral de Saúde são claras: a vacina é segura!
Depois há as outras recomendações; opiniões; pareceres. A começar por muitos dos enfermeiros que são apoio na Linha Saúde 24 – não tomam porque acham que a vacina não foi suficientemente testada. Os médicos… bem, cada um opina de maneira diferente; os farmacêuticos nem é bom falar! Ao mesmo tempo que acham que se entrou em histeria, vendem, nas suas farmácias os desinfectantes para mãos, que tiveram o cuidado de colocar em local bem visível nas farmácias e de forma a apelar à compra!
Tenho, na família, diversas pessoas ligadas à saúde e em funções diferentes. Já lhes ouvi opinões contraditórias. Contraditórias entre elas. Porque cada uma emite uma opinião avalizada e cheia de razão! E parece que, tão cedo, não está previsto nenhum encontro de família. Corríamos o risco de o Pandemrix ser o prato principal, com molho à mistura!
Parece-me, portanto, que isto é como a fé: cada um de nós ouve, tira ilações e depois toma uma decisão. Sendo que a doença é má, sim senhor, mas a vacina também o pode ser!
A isto chama-se capacidade de decisão: ter, em mãos, dois caminhos escuros e sinuosos, sendo que um levará à Lagoa e o outro não. Sendo, também (pelo que me parece) que o mesmo que leva uma pessoa à Lagoa, poderá não servir para toda a gente. Em suma: começo a achar que acertar na decisão será mais uma questão de sorte do que certezas no caminho a seguir.
Boa sorte a todos!
Adenda: Há un anos, num perído familiar muito complicado, acompanhei alguém que muito amo e que estava muito doente. Um dos medicamentos que lhe foi aplicado foi Vancomicina. Mais tarde, e recuperada a vida que tinha estado a fugir vi, num desses canais por cabo, um programa sobre oa malefícios e efeitos colaterias da Vancomicina. Eram grandes e graves. Telefonei a uma pessoa de família, médico de profissão, e expus-lhe os meus receios. A resposta foi pronta: 'A única certeza que se tinha é que se a Vancomicina não fosse administrada a criança morria. Foi tomada a melhor decisão, como se vê. E essa decisão teve que ser tomada em segundos, ou já não valia a pena! Nós, os médicos, muitas vezes, temos de decidir pelo mal menor e, muitas vezes, num espaço de tempo que está contra nós. Nesse caso a decisão foi a correcta e ela está connosco, plenamente e sem sequelas aparentes. O resto? Se verá, se houver alguma coisa para ver'. Estas palavras foram de enorme sabedoria. E um alento, também. Pena é que, no caso da Gripe A, não se tenha, sequer, uma pequena certeza de nada. Nem se sabe qual é o mal menor. Ao contrário deste pequeno caso.
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Música ao Entardecer...
Pra Rua Me Levar
Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...
sábado, 24 de Outubro de 2009
Nestas Tardes de Frio em que te AMO...
'... Abraço uma chávena de café quente com as duas mãos e encosto-a na face. Arrepia-se o corpo frio ao calor que se estende pela pele.
Encosto-me preguiçosamente no sofá. Mãos na chávena, chávena no rosto, olhos na lareira que tardamos em acender. Pouso as pálpebras e sinto as tuas mãos, quentes, fazendo deslizar a encharpe dos ombros; os teus braços a enlear o meu corpo. Pouso a chávena do café e encosto a minha face ao teu rosto moreno. Cruzam-se os olhos, cor do café e, ternamente, entornas um beijo salgado com sabor a romãs.
Inspiro o aroma do café, abro os olhos e sei que estou ancorada. As faces pintadas pelo rubor e na pele um calor superficial que me torna única na substância do espaço.
Nestas tardes de frio em que te amo, fico assim.
E Holly Cole.'
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Hoje Convinha Ver... ou Ouvir...
O Pe. Carreira das Neves, um dos mais brilhantes teólogos portugueses, falou sobre José Saramago e o seu novo livro, Caim. Ainda por cima, o Pe. Carreira das Neves está a ler o livro de Saramago e diz que se lê muito bem! Diz:, AQUI: 'Só me espanta como é que o Saramago, sendo ele um homem da literatura, não veja a Bíblia a partir dos géneros literários, a partir dos mitos, das sagas, da história e da poesia. Ele inventa o Adão, e a Eva e o Caim e o Abel à maneira dele. Pode fazer aquilo que ele quiser porque diz que aquilo é um romance'.
Acrescenta que 'Saramago é um Gato Fedorento a brincar com a Bíblia'.
O Pe Carreira das Neves falava assim, não tanto da sequência do lançamento do livro, mas no decurso da entrevista de Saramago ao JN onde, entre muitas ideias, defende que a Bíblia 'é um manual de maus costumes' e etc.
Hoje à noite, a SIC, vai fazer um frente a frente entre os dois: dois Homens grandes, geniais, cultos, inteligentes, mas com uma uma visão oposta sobre a leitura da Bíblia e logo, sobre os efeitos na Humanidade da mesma, começando na Religião, uma força estrutural muito forte na Sociedade, desde sempre.
Traduzindo na linguagem que anda por aí: dois jarretas vão-se encontrar para comer umas migas e falar umas coisas que a sua sandice permitir. Provavelmente, terão uma manta a cobrir as pernas, onde repousará um gato a quem farão festinhas no intervalo de usarem as mãos para enxutar imaginárias moscas da cara. Dado que têm mais de 75 anos (e um até tem 80!), o único interesse vai ser ver quem diz a maior tontice e quantos bocejos darão cada um! (Ainda ninguém tinha usado o adjectivo jarreta?! estranho...).
Por mim? Vou fazer por ver ou gravar. O quê? Dois Homens grandes, geniais, cultos e inteligentes e que, apesar da diferença de ideias, se respeitam!
Às 21 horas na SIC e SIC Notícas.
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Mas Alguém Esperava Outra Coisa Muito Melhor? Porquê?!
Não há grandes surpresas com o novo governo. Mais do mesmo, como era de esperar. O partido é o mesmo, o 1º Ministro idem, pelo que desiluda-se quem pensa que, com uma nova Ministra da Educação, por exemplo, as políticas vão ser diferentes. Claro que a avaliação dos professores – o tema mais quente – vai com certeza, levar uns ajustes. O Governo não tem maioria e todos os partidos se opõem a este modelo de avaliação. Mas as linhas mestras das políticas dos últimos anos serão as mesmas.
A preocupação, por isso, seria escolher pessoas que fizessem prolongar o Estado de Graça, que é bónus de qualquer Governo. Não admira, portanto, que alguns ministros se mantenham (caso de Ana Jorge, ou Teixeira dos Santos). Saem outros, mais polémicos, porque há que fazer prevalecer a ideia de lufada de ar fresco nos ministérios onde personalidades ‘extravagantes’ reinaram.
Não faço grandes críticas, portanto, e para já, às escolhas. As minhas expectativas eram baixitas. A não ser uma: A. Santos Silva não tem o perfil de ‘fazedor de paz’ que faça prolongar o estado de graça. Ao contrário. Admira-me, portanto, que continue no Governo e logo na Defesa: será, por certo, o Ministro Malhão.
A minha surpresa vai direitinha para a Ministra do Trabalho, Helena André. Era secretária adjunta da Confederação Europeia de Sindicatos e esperava-se que o próximo passo fosse a subida a secretária. Tem uma enorme experiência de negociação e, pelo que li, é uma pessoa que gera bastante consenso. Uma escolha, portanto, cirúrgica, de Sócrates, para um Ministério que se arrisca a estar na linha da frente nos próximos tempos, ainda mais do que o que tem estado.
Isabel Alçada na Educação gera-me a mesma expectativa de Dulce Passarinho no Ambiente ou Gabriela Canavilhas na Cultura - a ver vamos! Sendo que estes dois últimos Ministérios passaram despercebidos no último Governo. E isso não é bom sinal!
No resto? Nenhumas expectativas.
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Poesia Pela Manhã
... abre-se o mail e cai-nos isto no colo.
O remetente? Anónimo
E o desafio: subject: 'Lúcia, descobres quem escreveu?...'
Vinha Divina!
Bebes o vinho, o néctar, dos deuses da vida,
Da vinha dos montes de Olimpo renascidos
Montanhas de uma intensa
Luz jamais esquecida
Que traz à flor da pele os encantos dos sentidos.
Sentes a brisa fresca que passa pelo corpo delicado
Pelas vias respiratórias até uns pulmões atordoados
Com o espesso fumo inalado, vezes sem conta exalado.
O Mundo inteiro rodeia-te por todos os incertos fados.
Conheces ciência, conheces autores, lês livros surreais
Todos são mais do que vês, aquilo que realmente são,
Sentes falta de algo que foge e não conheces, algo mais
Que não sabes sentir em ti, na sua verdadeira emoção.
Mas vês uma luz que procuras seguir, não queres perder
Uma estrela num céu de trevas que sabes serem irreais
E sabes que terás de expandir o teu ser para perceber…
RE:As palavras são um espelho;-)
'(...)
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.'
- Os Amantes Sem Dinheiro de Eugénio de Andrade -
O remetente? Anónimo
E o desafio: subject: 'Lúcia, descobres quem escreveu?...'
Vinha Divina!
Bebes o vinho, o néctar, dos deuses da vida,
Da vinha dos montes de Olimpo renascidos
Montanhas de uma intensa
Luz jamais esquecida
Que traz à flor da pele os encantos dos sentidos.
Sentes a brisa fresca que passa pelo corpo delicado
Pelas vias respiratórias até uns pulmões atordoados
Com o espesso fumo inalado, vezes sem conta exalado.
O Mundo inteiro rodeia-te por todos os incertos fados.
Conheces ciência, conheces autores, lês livros surreais
Todos são mais do que vês, aquilo que realmente são,
Sentes falta de algo que foge e não conheces, algo mais
Que não sabes sentir em ti, na sua verdadeira emoção.
Mas vês uma luz que procuras seguir, não queres perder
Uma estrela num céu de trevas que sabes serem irreais
E sabes que terás de expandir o teu ser para perceber…
RE:As palavras são um espelho;-)
'(...)
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.'
- Os Amantes Sem Dinheiro de Eugénio de Andrade -
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
ATENÇÃO!
Na semana passada, os holofotes, atenções, escárnios virarm-se para Maitê.
Esta semana mais do mesmo, por outros motivos, mas viram-se os holofotes para Saramago.
No meio disto, vão acontecendo coisas que não têm os holofotes em cima, porque há que poupar energia para defender a pátria, a religião, nem que, para isso, tenha que se criar um Novo Dicionário do Insulto Verborreico.
Mas acontecem coisas sim. Como o Relatório de Desenvolvimento Humano que, este ano, está particularmente centrado na questão das migrações. Está AQUI.
Mas deixo outro link - para o Guia do Leitor. Nesta ligação estão explicações sobre como ler o RDH - desde explicações sobre o Índice de Desenvolvimento Humano, até à explicação dos símbolos que vão sendo utilizados no Relatório, até à explicação - mais importante ainda - sobre o conjunto de ferramentas, conceitos e fontes que permitiram elaborar o Relatório.
É que, para ter opinião, não basta ir atrás daquilo que outros resumem. Convém sermos nós a ler. E a saber ler!
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Café, Manhã, Chuva e... Jacques Prévert
DÉJEUNER DU MATIN
Il a mis le café
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec le petit cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a resposé la tasse
Sans me parler
Il a alumé
Une cigarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis des cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur la tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvaitIl est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
E moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
E j'ai pleuré.
- Jacques Prévert -
~~~~~~~~~~~~~
Café da Manhã
Pôs café
na chávena
Pôs leite
na chávena com café
Pôs açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu o café com leite
E pôs a chávena no pires
Sem me falar
acendeu
um cigarro
Fez círculos
com a fumaça
Pôs as cinzas
no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs
o chapéu na cabeça
Vestiu
a capa de chuva
porque chovia
E saiu
debaixo de chuva
Sem uma palavra
Sem me olhar
E eu pus
a cabeça entre as mãos
E chorei.
- Tradução Lúcia -
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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Todas as Separações têm Poesia?
Talvez... talvez...
De repente, não mais que de repente
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
- Vinicius de Moraes -
sábado, 17 de Outubro de 2009
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - 1 Sugestão
Apenas 1 minuto de filme
Uma Atitude que Sugiro:
Explico em breves traços: uma criança de Moçambique pode ser afilhada de quem se proponha ao apadrinhamento da mesma. Os Padrinhos da criança comprometem-se a fazer um envio trimestral de uma quantia em dinheiro. Com esse dinheiro, a criança, previamente sinalizada por uma equipa no terreno, terá acesso à educação, cuidados de saúde e 3 refeições por dia.
Os Padrinhos poderão visitar a criança, enviar-lhe presentes, cartas, fotos e estabelecer uma relação de amizade e proximidade. Mas nunca será permitido que os Padrinmhos retirem a criança do seu ambiente. O objectivo é auxiliar ao desenvolvimento e crescimento da criança, da família e, aos poucos, do país.
Quem quiser informações mais detalhadas, poderá consultar o site dos Padrinhos de Portugal ou contactar por mail: padrinhosdeportugal@gmail.com
Os Padrinhos poderão visitar a criança, enviar-lhe presentes, cartas, fotos e estabelecer uma relação de amizade e proximidade. Mas nunca será permitido que os Padrinmhos retirem a criança do seu ambiente. O objectivo é auxiliar ao desenvolvimento e crescimento da criança, da família e, aos poucos, do país.
Quem quiser informações mais detalhadas, poderá consultar o site dos Padrinhos de Portugal ou contactar por mail: padrinhosdeportugal@gmail.com
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sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
À Distância... as Autárquicas, Tangos Rurais... ou Continuamos a Dormir?...
... acho que sim. Ainda andamos a dormir!
Li várias opiniões acerca das derrotas de Fátima Felgueiras e Ferreira Torres (chamemos-lhe o 1º par) versus vitórias de Valentim Loureiro e Isaltino Morais (o 2º par). Algumas muito interessantes, não obstante discordar da maioria das ilações escritas a respeito do assunto.
Muitos escreveram que a ruralidade, desta vez, destornou em inteligência e não perdão, ao fazer dançar o 1º par da pista para fora. Por isso, os literados de Oeiras (Concelho onde, segundo dados do Ministério do Trabalho e da Solidariedade de 2007, 21% da população empregada é licenciada), afinal, pecam por um atraso nas exigências morais dos seus representantes, ao elegerem um autarca já condenado a cerca de 7 anos de prisão.
Na verdade, penso que isto não tem a ver com a ruralidade. 'Outra' ruralidade votou em Valentim Loureiro.
Não é com júbilo que afirmo isto: Fátima Felgueiras perdeu, não porque os munícipes de Felgueiras tenham decidido condenar nas urnas o que o tribunal não condenou - (e assim fosse, ter-lhe-iam feito a cama há 4 anos atrás. Não só não fizeram e votaram massivamente em Fátima, como, aquando da sua chegada do Brasil, depois de fugida à justiça, o povo saiu em peregrinação histérica recebendo-a pelas ruas), mas porque se distraiu dos seus compromissos autárquicos, distraída que andava com os compromissos com a Justiça. Esta distração fez com que pessoas com credibilidade se chegassem à frente e ganhassem terreno.
Ferreira Torres perdeu porque trocou, há uns anos, O Marco por Amarante. Um grupo de gente séria decidiu organizar-se. Foram eleitos. Fizeram obra. Quando Ferreira Torres quis voltar para os braços do Marco, este dispensou-o. Porque já sabe, o Marco, que pode viver, e bem, sem o Torres.
Isaltino e Valentim ganharam porque, apesar de tudo, continuaram com os seus compromissos autárquicos, gerindo crises pessoais, sem comprometer demasiado os municípios. Em ambos os casos, a oposição não ganhou espaço. Ou porque não teve força suficente para isso; ou argumentos. Ganharam!
Em suma: o povo votante que fez perder as eleições ao 1º par não terá uma consciência cívica e moral maior do que o povo votante que elegeu o 2º par. O povo do 2º par não foi defraudado enquanto seres viventes nestes municípios. O 1º foi e deu espaço a que outros avançassem.
E isto não teve nada a ver com Justiça. É pena, mas não teve.
Terá, este provérbio chinês, alguma coisa a ver com o que digo?:
“Se queres colher em um ano, planta cereais; se queres colher em 10 anos, planta árvores; mas se queres colher em 100 anos, instrói o povo“.
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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Blog Action Day 2009 - Alterações Climáticas

Sem tempo para posts imaginativos sobre as alterações climáticas, mas associando o RS a este movimento anual em torno de uma questão essencial, deixo este breve filme, que vale a pena ver.
O Carlos Barbosa de Oliveira também se associou, e muito bem, a este dia. Quer através do Rochedo, quer pelo Delito de Opinião, onde, além deste post, colocou alguns dos blogues participantes.
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clima
domingo, 11 de Outubro de 2009
'Love means never having to say you're sorry'
Não sei se será assim. Mas a ideia agrada-me
Love Story(1970)
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quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Amália... Summertime
Em mês de Amália, eu já não me lembrava que uma das composições onde mais gostei de a ouvir foi cantando este Summertime.
E já nem me lembrava que, de entre as milhares versões desta música, a que é cantada por Amália é das que mais gosto.
Alguém teve o bom gosto de me lembrar!:)
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amália
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
........................
'Quem vem lá?
“Quem vem lá?” Perguntou a ovelhinha da porta de sua casa. “Porque querem entrar no meu reino, nas minhas possessões terrenas?” Reforçou com desdém. Durante algum tempo fez-se silencio, ninguém respondeu, pois lá fora apenas o sol quente e uma brisa ligeira se aventuravam naquela tarde suave de Domingo.
A ovelhinha não desanimou, manteve a guarda, não era dia de semana, não costumava passar ninguém por ali, mas quem sabe. Poderia surgir quem quisesse entrar, até sem licença, e roubar todo aquele nada que era o seu todo. Nunca tinha partilhado, sequer umas raspas, de algo seu. Nunca tinha deixado ninguém entrar. Se calhar ninguém tinha até querido entrar, já não se lembrava.
Muitos nuncas, para uma simples ovelhinha, que por lá ficou, à espera, resmungando “Quem vem lá?” quando apenas o vento soltava assobios do encontro com as giestas.'

... pode ser lido Aqui.
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domingo, 4 de Outubro de 2009
Gracias, Mercedes!
"Nesta data, na cidade de Buenos Aires, Argentina, temos que informar que a senhora Mercedes Sosa, a maior artista da Música Popular Latino-americana, nos deixou" - nota da família - 4 de Outubro de 2009.
'Que la reseca muerte no me encuentre
Vacía y solo sin haber hecho lo suficiente'
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Mercedes Sosa
sábado, 3 de Outubro de 2009
Quinta das Lágrimas, Coimbra, Balada de Coimbra e... Bom Fim de Semana!
A Quinta das Lágrimas é mágica. Ali se amaram e amarguram Pedro e Inês.
E a envolvência daquelas fontes; daquelas árvores...
Sigam os passos de Pedro e Inês. Ou os vossos. Ou os nossos...
Por Aqui ou por aqui.
AOS AMORES... AHAHAHHaaaaaa
Balada de Coimbra (O meu fado favorito! O meu fado!)
Já branca lua
Alveja a terra,
Já negra serra
Tem alva cor!
Pelo Mondego
Ouvem-se apenas
Trovas serenas,
Feitas d’amor.
Tristes, bem tristes,
Nossas canções,
São ilusões
Da mocidade;
São os queixumes
Dum peito triste,
Peito onde existe
Uma saudade.
(estribilho)
Porém que importa,
Saudade infinda?
A noite é linda...
Lindo o luar!
Cantai rapazes,
Às raparigas!
Ternas cantigas
A suspirar.
E os nossos cantos,
Puros, singelos,
São os anelos
Duma ilusão!
Pelos espaços
Vão ecoando
Ao sopro brando
Da viração.
E a envolvência daquelas fontes; daquelas árvores...
Sigam os passos de Pedro e Inês. Ou os vossos. Ou os nossos...
Por Aqui ou por aqui.
AOS AMORES... AHAHAHHaaaaaa
Balada de Coimbra (O meu fado favorito! O meu fado!)
Já branca lua
Alveja a terra,
Já negra serra
Tem alva cor!
Pelo Mondego
Ouvem-se apenas
Trovas serenas,
Feitas d’amor.
Tristes, bem tristes,
Nossas canções,
São ilusões
Da mocidade;
São os queixumes
Dum peito triste,
Peito onde existe
Uma saudade.
(estribilho)
Porém que importa,
Saudade infinda?
A noite é linda...
Lindo o luar!
Cantai rapazes,
Às raparigas!
Ternas cantigas
A suspirar.
E os nossos cantos,
Puros, singelos,
São os anelos
Duma ilusão!
Pelos espaços
Vão ecoando
Ao sopro brando
Da viração.
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brilhos,
quinta das lágrimas
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Outubro, o Meu Outubro...
... e os retalhos de uma vida que foi desbravando caminhos.
O meu Outubro; o meu mês; o meu post. No parapeito desta janela, há 1 ano, estendia-se isto:
As esperanças

Os silêncios de S. Pedro de Moel

E partidas, sentidas, sem retorno. Quanta saudade, L…
Por tantas imagens, tantos cheiros e tantos e tão fortes afectos, Outubro é o meu mês.
E é a inauguração anual cá em casa dos fins de tarde com crepes de chocolate caseirinhos e chá de frutos silvestres. Pequenos rituais outonais. Mas que nos situam. E nos confortam. E nos amansam, também…
(L, escrevo estas linhas contigo ao meu lado. Foi em Outubro que nos cruzámos. Uma amizade profundamente sentida até ao último minuto que suou num trágico dia de chuva em Outubro, anos mais tarde. E, tanto tempo depois, ainda não acredito… que não me ouvirás mais… que não lerás estas linhas… e contudo, estás ao meu lado…)
Quero é viver - Humanos
O meu Outubro; o meu mês; o meu post. No parapeito desta janela, há 1 ano, estendia-se isto:
De Outubro Guardo...
As apostas
As esperanças
As viagens
Os cheiros do mosto no Dão e no Douro
Os silêncios de S. Pedro de Moel
Os Verões tardios e absolutamente calmos do Algarve
E partidas, sentidas, sem retorno. Quanta saudade, L…
Por tantas imagens, tantos cheiros e tantos e tão fortes afectos, Outubro é o meu mês.
E é a inauguração anual cá em casa dos fins de tarde com crepes de chocolate caseirinhos e chá de frutos silvestres. Pequenos rituais outonais. Mas que nos situam. E nos confortam. E nos amansam, também…
(L, escrevo estas linhas contigo ao meu lado. Foi em Outubro que nos cruzámos. Uma amizade profundamente sentida até ao último minuto que suou num trágico dia de chuva em Outubro, anos mais tarde. E, tanto tempo depois, ainda não acredito… que não me ouvirás mais… que não lerás estas linhas… e contudo, estás ao meu lado…)
Quero é viver - Humanos
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